Talvez você não imagine quantas vezes desisti de cozinhar por puro medo. Sim, medo de errar o ponto, de queimar o jantar, de sentir o gosto amargo da frustração ou de ouvir as piadas do meu filho. Olhar para a pia suja era como encarar um veredito: “isso não é para você”.
Cozinhar era desgastante. Com a respiração presa no alto do peito, sentia estar pisando em ovos a cada ingrediente acrescentado à panela. Quando a comida finalmente ficava pronta eu estava exausta e, quase sempre, insatisfeita com o resultado.
Tudo começou a mudar quando comecei a me desprender do resultado final, da expectativa do prato “masterchef” que agradasse a todos, e passei a olhar para o processo. Percebi que cada etapa do cozinhar era, na verdade, um convite para desfrutar do momento presente.
Como praticante de mindfulness, meditava apenas na almofada. Até que entendi que poderia ampliar a sensação de tranquilidade que experimentava quando respirava conscientemente, se levasse a prática da atenção plena ao meu dia a dia. Foi assim que comecei a meditar no lugar mais desafiador para mim: A cozinha.
Ao levar a atenção para respiração, algo mágico aconteceu. Sem perceber, troquei os pensamentos borbulhantes de insegurança pelo prazer de ouvir o chiado do arroz na panela. O medo deu lugar ao cheiro do alho e louro se espalhando pela casa. Aos poucos, aquela imagem amedrontadora da cozinha se transformou em puro contentamento. Ali, com os sentidos à flor da pele, o estado de presença era ainda mais vibrante do que na almofada de meditação.
Comecei a “conversar” com os alimentos. Ao me abrir para senti-los profundamente, passei a compreender seus sabores, suas texturas e as infinitas possibilidades que guardavam. A comida foi ficando incrivelmente mais gostosa, ao mesmo tempo em que eu também experimentava mais satisfação comigo mesma. Comecei a me compreender melhor.
O momento mais marcante foi com meu filho. Ele tinha treze anos na época (hoje está com 30, como o tempo voa!). Ele fez seu prato e antes mesmo de provar, me agradeceu pela comida. Ali, meu coração parou por um segundo. Nós nunca tínhamos feito aquilo. Foi aí que tive a certeza de que algo havia mudado.
Cozinhar passou a ser um momento de pausa, acolhimento e bem-estar, onde eu também preparo a comida. Porém não pense que todo dia é uma maravilha, às vezes quero passar longe das panelas, sou humana, e também cheia de altos e baixos.
A Culinária Terapêutica te convida a desfrutar do ato de cozinhar, da sua própria companhia, da sua comida, de ser quem você É – respeitando seus dias de “Sim” e acolhendo seus dias de “Não”.
Vem cozinhar comigo!
Agende uma aula de Culinária Terapêutica e faça do preparo das suas refeições um momento de autocuidado delicioso.


